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Produtores corupaenses se reúnem para discutir crise no setor da banana. Preço da caixa da fruta não paga nem o custo de produção

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Dezenas de bananicultores de Corupá estiveram reunidos na noite da última segunda-feira (3), no salão da igreja Santo Antônio, discutindo uma solução para a crise enfrentada pelo setor em razão do preço pago pela fruta. Segundo dados divulgados durante o encontro, em média, o produtor está recebendo R$ 6 por caixa, insuficiente sequer para pagar os custos de produção que giram em torno de R$ 9,50, dependendo dos investimentos com insumos. A ideia dos participantes da reunião, que foi coordenada pelo produtor de Rio Natal, Roberto Carlos Linzmeyer, é definir um valor mínimo de comercialização da banana, mas para isso será importante a união de todos uma vez que, de acordo com as manifestações no encontro, os compradores tendem a pressionar os bananicultores para conseguir sempre um valor menor pela fruta. A indignação generalizada do setor é que nas gôndolas dos supermercados, o quilo da banana caturra está sendo vendido a mais de R$ 2, ou seja, quase 40% do preço pago pela caixa com 20 quilos. De acordo com kevin Alisson Cubas, técnico agrícola da ASBANCO (Associação dos Bananicultores de Corupá), enviado pela entidade para apresentar alguns números do setor aos produtores do encontro, dentro de alguns dias uma comitiva composta por diversos produtores do estado estará se deslocando a Florianópolis, para um encontro na secretaria de agricultura para cobrar a fim de debater a crise envolvendo a bananicultura na região. A expectativa é que alguns agricultores de Corupá também participem da reunião. A data ainda não foi definida. “A tabela de diversos produtos foi atualizada pela última vez em 2011, portanto, 8 anos atrás e lá os valores estão completamente fora da realidade de mercado”, observou. No caso da banana, por exemplo, ele destaca que no site da secretaria, os preços estão especificados em cacho e caixa, quando o correto seria por quilo da furta. “Para se ter uma ideia da disparidade com a realidade, no site secretaria o quilo da banana em cacho sai por R$ 0,15 e R$ 0,18 no caso da caixa. Se nós conseguirmos mudar esta questão, fazendo a elevação desses valores, poderíamos aumentar o preço da fruta uma vez que nenhuma nota pode ser emitida com custos inferiores ao da tabela”, observou. Para promover uma melhora de mercado e consequente maior ganho aos produtores, o técnico agrícola da Asbanco adverte que não há outra solução, senão a união de todos a cadeia produtiva, evitando a banalização do preço da fruta. “Se todos se unirem de fato, é possível pressionar o mercado para uma valorização da caixa da banana”, pontou.

O setor e a oscilação de preços

De acordo com dados apresentados pelo técnico agrícola da Asbanco durante o encontro da última segunda-feira (3), o preço da caixa da banana tem oscilado bastante nos últimos tempos, tendo como ponto mais alto o ano de 2016 e início de 2017, quando muitos produtores chegaram a comercializar a fruta a mais de R$ 30. O que poderia ser um fator positivo, acabou provocando um aumento considerável da área cultivada no Brasil, favorecendo um grande aumento na produção e consequentemente, queda no preço pago ao produtor.  Para se ter uma ideia do oportunismo em torno do preço da banana naquele ano, basta destacar que entre 2016 e 2017, o aumento da área cultivada representou mais de 6 bilhões de novos pés da fruta. “´Muitos produtores de outras regiões do Brasil se entusiasmaram com o alto valor da fruta naquele ano e acabaram trocando outras culturas como soja, milho e até criação de gado, para cultivar a banana e o reflexo deste aumento da produção, foi uma queda substancial do preço do produto no mercado. Ou seja, quanto maior for a oferta, menor será o valor pago ao produtor. Sendo assim, se o bananicultor dosar esta questão, haverá um equilíbrio”, explicou. Apesar da crise por que passa o setor, kevin Cubas acredita que alguns fatores externos favorecerão a elevação do preço da caixa de banana nos próximos dias. Ele cita como exemplo o temporal que houve no Vale do Ribeira, interior de São Paulo, que destruiu muitos bananais. Como se trata de uma grande região produtora da fruta, a tendência é que os compradores recorram ao mercado catarinense.